Provavelmente, uma pausa


É complicado eu saber se vou fazer de fato algo ou não. Pois um dia sinto uma coisa, no outro sinto outra e assim, ter uma decisão a ser mantida é sempre algo que dificilmente alcanço. Eu amo escrever, amo compartilhar, mas não sei se me enquadro (no momento) no formato do blog que mantive por aqui. Nesse blog que já teve tantos nomes, tantas fases, tantos nichos, tantos sentimentos. Onde já postei de tudo um pouco. Mas sem dúvidas, sempre teve eu mesma em abundância e sem filtros. Grande parte da minha vida está aqui. De 2011 até 2017. É muita coisa. 

Tem minhas dores. Minhas perdas. Meus medos. Meus micos. Minhas vitórias. Minhas alegrias. Minhas expectativas. Meus sentimentos. Meus pensamentos. Tem eu em tudo. Num mundo tão cheio de máscaras, eu tô exposta. Eu tô nua pra quem quiser ler. É bizarro ser artista nos dias atuais. Eu sempre sou vista como uma pessoa inabalável, impenetrável, fria. Até que a pessoa entra em contanto com um texto que escrevi, uma foto que tirei, uma pintura meio sem sentido que pintei. E então a pessoa vê como sou intensa, quente e viva por dentro.


A melhor coisa sobre ser um artista é ser capaz de tocar as pessoas. Um dos momentos mais felizes da minha vida, foi ver pessoas chorando em meu aniversário com um texto que fiz com 14 anos. Eu estava exposta? Sim. Mas eu as toquei ao ponto de fazê-las chorar. Eu fui tão fundo na alma delas e isso não tem preço. Elas me permitiram chegar lá. E enquanto elas choravam, eu estava derretendo de tanta alegria que sentia. 

No momento, não sinto vontade alguma de postar aqui. Não por desânimo ou por estar com a vida "real" agitada demais. Até irei voltar a ter alguma rotina e obrigação fora de casa e realmente quero conseguir conciliar estudos x vida social x saúde mental, mas ainda assim, não é por isso. Eu tenho me repensado como artista. Pois eu tenho sim, esse lado. Sempre tive e decidi que não vou abrir mão dele. Pois eu sempre abria e era ai quando eu começava a morrer por dentro. Mas estou repensando. Sobre o que eu quero escrever? Qual meu público? Que imagem quero ter? São muitas perguntas e ainda não tenho nenhuma resposta.


Também estou me reinventando como pessoa. Na verdade, já tenho um entendimento novo sobre eu mesma. Eu sou outra. Definitivamente não sou a mesma que começou esse blog. Mas eu só tenho estado dentro de casa, então eu serei uma nova pessoa voltando a interagir com o mundo. Eu não sei como vai ser. Tem sido divertido e excitante me perceber reagindo de forma tão diferente do que costumava reagir, tendo sentimentos diferentes do que costumava ter. Tem tantas coisas que mudaram dentro de mim e eu quero vivenciar isso, quero me redescobrir enquanto redescubro o mundo. Pois o mundo é, o que a gente vê nele. E se você muda sua visão, tudo muda! 

E o que eu espero de mim? Que eu consiga viver um dia de cada vez. E esse é um desafio que quase ninguém consegue "vencer". Não digo sobreviver, mas viver. Estar presente no momento em que se está. Viver o agora. E viver de acordo com o que eu quero, com o que eu sinto. Sempre seguindo minha intuição e sendo sincera comigo mesma. Sempre me enxergando, sempre de acordo com o que estou sentindo. 

"Me desconecto de olhar o outro, de esperar do outro, de sofrer pelo outro. Cada um deve viver sua jornada e eu respeito isso. Nunca mais carregarei ninguém. Apenas viverei em harmonia. Desde já, compartilho meu amor com todos, sem permitir que ninguém abuse da minha energia. Amorosamente colocarei limites, sabendo, também, quando eu preciso respeitar o limite do outro. Amo e aceito essa verdade - Anulação dos Votos de Sofrimento." 

Reencontrei essa "oração" em meus documentos e creio que num passado não tão distante, a fiz. E é engraçado como trilhei de fato esse caminho. Eu iniciei não uma jornada de auto-conhecimento, mas uma jornada de fazer as pazes comigo mesma, de me amar, de me respeitar, de ter confiança em minhas habilidades. Durante um tempo eu não plantei nada pra mim e foi horrível a colheita. Horrível. Então enquanto colhia dor, eu comecei a plantar: amor, confiança e respeito. E já estou colhendo. E está sendo uma colheita maravilhosa. 


A lição da colheita horrível, foi boa. Apesar de ter doído tanto. Eu percebi que a única aprovação que eu preciso ter, é a minha. Que amor dos outros é bom, mas o que realmente vai me nutrir é o meu próprio amor. Que é bom estar com outras pessoas, mas só até onde não fere quem eu sou. Pois se ferir, ou a pessoa me respeita ou eu devo então me respeitar, tirando ela da minha vida. E claro, confiar mais de que sou capaz. Eu preciso voltar a confiar em mim mesma. A confiar que não me permitirei chegar ao fundo do poço novamente, não da forma que cheguei nessa última vez. 

E eu criei o blog pois eu queria ser ouvida. Mas eu que precisava me ouvir, me enxergar, me acolher. Eu fiz as pazes com a Ana adolescente, depois fiz as pazes com a Ana criança e então quando eu menos esperava (mas foi depois de muita busca), vi acontecer as pazes com a Ana adulta, a Ana de hoje, a Ana que escreve aqui e agora. Eu nunca vivi um momento em que eu gostava de quem eu era no momento. Eu só conseguia gostar de mim quando me observava no passado, descontente com quem era no momento. Mas dessa vez, tô em paz com quem eu sou. Nem me persigo tentando me entender, me pertencer. Pois me pertenço e entendo o que posso e tudo bem. Nem me condeno ou me critico tanto. E é um alívio que nunca senti antes. 

E eu acho que a (provável) pausa, é isso. Eu quero ser um pouco só minha. Eu passei tanto tempo longe de mim, me querendo de volta, que agora que eu me tenho, eu quero curtir isso, sabe? Sem contar que quero me acertar com as pessoas, aprender a lidar com elas e isso obviamente irá me fazer gastar bastante tempo e energia. Pois é uma habilidade que eu não tenho, então desenvolver algo requer tempo, foco e energia. E eu quero me dedicar a isso. Por um tempo. Não sei de quanto tempo se trata, pois eu sou imprevisível até pra mim. Mas não quero deixar o blog sem post e sem aviso nenhum. 


É isso. Beijos de luz. Faça de cada dia, um dia bom. E o que é um dia bom? Um dia em que você faz o que você sente, em que você se ama e se respeita. Você é o seu objetivo de vida e a estrada da vida, é o que importa. Como a aranha traça a sua teia, nós traçamos o nosso destino. Não é a vida que te define, você é que está no comando de quem você se torna. Escute você. Cuide de você. Ame você. 

Até algum dia. 

Ana Débora, com carinho e gratidão
ps.: meu notebook morreu,
a pausa de torna duplamente inevitável 

Ser adulto, não precisa ser assim tão difícil


Logo que fiz 18 anos, eu sabia que algo tinha mudado. Mas ainda não entendia direito o motivo daquela sensação estranha. Se você já completou essa idade, talvez tenha sentido algo parecido. Querendo ou não, entramos na fase adulta e essa carga então, de um dia pro outro, é nossa. Não há o que fazer. Você dorme num dia e quando acorda no outro, está lá. Lide com isso. E não adianta mais dizer que não sabe lidar. A responsabilidade que antes era dos seus responsáveis, agora é sua. Agora, o responsável é você.

O que a gente sempre deseja, é crescer. Ser adulto, esse é o nosso objetivo, nosso sonho. E somos condicionados a isso. Crescemos ouvindo que só somos alguma coisa quando crescemos, então como poderíamos não desejar por isso? Ainda assim, o que antes era sonho, para muitos, não muito tempo depois de completar essa idade, vira um pesadelo. E começam então as perguntas "nossa, quis crescer por quê?". Bem, nós só podemos crescer e envelhecer cada vez mais, não há como evitar isso. Do contrário só na ficção. 

Ser adulto, não é fácil. Não me ensinaram a ser uma. A você provavelmente também não foi ensinado isso. A quem deveria ter te ensinado também não. Pois adultos, realmente não sabem o que estão fazendo. Raros os adultos que sabem o ser. Que sabem o que estão fazendo. A maioria só vai seguindo o fluxo, ou melhor, sendo empurrado por ele. Moldado por ele. Engolido por ele. Então se tornam pessoas amarguras, impacientes, egoístas, transbordando desamor. Mas não precisa ser assim. Foi assim durante muito tempo, mas não precisa continuar. Não precisa ser assim tão difícil.

Sobre as soluções? Bem, ainda não sei. Mas tenho algumas ideias. Visto que ainda sou bem nova nisso e que ainda não sou completamente independente. Mas já tem certas coisas que penso diferente. Acredito que o problema está, no fato de que as pessoas não aprenderam a lidar com a liberdade e responsabilidade. Pois quando somos crianças, não temos preocupações, mas também não temos liberdade. Não, não há liberdade, pois você é totalmente dependente de outras pessoas. E quando nos tornamos adultos, a liberdade chega, mas com ela, também chegam as responsabilidades. E é ai que a loucura, reclamação e chororô começa. 

Crescer é bom pois vamos realmente nos tornando quem realmente somos. Não temos mais que fazer o que pai e mãe disseram, não temos mais aquela necessidade de nos encaixarmos num grupo. Vamos definindo nossos próprios pensamentos e sentimentos. Vamos respondendo apenas a nós mesmos, a única pessoa a qual devemos satisfação. É a tal da liberdade. Só que como nos tornamos responsáveis por nós mesmos (olha onde esquecemos de crescer), o que antes era da conta do nossos responsáveis, se torna nossa. Iremos pagar nossas próprias contas! Yay! Deveríamos ter gratidão por sermos capazes de cuidar de nós mesmos. Mas, não. É só reclamação. 

Tenho certeza que, tirando os dias de trabalho (necessidade, né mores), gastamos mais com dias de diversão do que pagando contas. E se você está usando mais dias para pagar contas e resolver picuinhas do que para se divertir, pausa para analisar como você anda, né? Como você anda distribuindo o seu tempo, sua energia. Em que tipo de coisa você está focando. Pois a vida adulta não é nem de longe só tristeza. Ainda que existam cobranças, você pode decidir o que fazer. Se quer casar ou não. Se quer ter filhos ou não. É sua decisão. É seu poder. 

Eu gostei de ter sido criança. Gostei. E aproveitei muitíssimo. Mas sentir a saudade do jeito que as pessoas mais velhas costumam sentir? Não. Não sinto falta. Foi bom, mas também foi muito limitante. Se eu tivesse tido mais liberdade, talvez até batesse saudade. Mas como não tive, falta não me faz. E gosto de estar adulta, no momento. E espero saber ser uma adulta. Mas claro, mantendo minha criança interna bem viva e bem acolhida dentro de mim. Não deixei de ter riso fácil, de me encantar pelas coisas simples e nem a curiosidade sobre aquilo que não conheço. 

Além do equilíbrio entre liberdade e responsabilidades, acho que precisamos entender que ser adulto, não significa ser morto por dentro. Quando somos adolescentes, também somos a criança que fomos. Quando somos adultos, também somos os adolescentes que fomos e somos também a criança que fomos. E sempre podemos mudar. Sempre podemos ser contraditórios. Mas parece que quando completamos 18 anos, esquecemos disso. E como adultos, ainda que tão poderosos, continuamos vulneráveis. Vamos focar no que é bom em nós e na vida. E assim, tenho certeza de que não será tão difícil como vem sendo. 

Ana Débora, com carinho e gratidão
tudo depende do referencial